Temos o costume de nos isentarmos de algumas “responsabilidades” e “culpas” com bastante frequência. Coloco entre aspas porque nesse caso específico, não vejo exatamente como responsabilidade e culpa. Digo, no caso de relacionamentos entre as pessoas. Qualquer tipo de relacionamento: amizade, familiar, entre um casal… Estava pensando nisso depois de uma conversa que tive com uma amiga. Ela dizia que muitas vezes a gente perde bastante tempo dando atenção e importância a pessoas que não vão continuar na nossa vida, enquanto deixamos outras, as quais sabemos que vão (ou podem) continuar, de lado.
De certo modo, eu concordei. Depois de um tempo podemos nos dar conta de que nos dedicamos demais a alguém que nunca mais vamos ver, com quem nunca mais vamos falar. Mas a questão é justamente essa: depois de um tempo. Embora eu acredite que a gente escolhe quem permanece e quem sai da nossa vida, não acho que seja uma escolha totalmente consciente. Como eu posso saber, no momento presente, que me relacionar com uma ou outra pessoa, é perda de tempo ou não? E será que é perda de tempo mesmo? Será que neste momento não faz bastante sentido que eu esteja me envolvendo com determinadas pessoas e não com outras? Será que isso significa que vou abandonar essas outras?
Muitas perguntas. Eu consigo responder a todas elas. São respostas que dou para mim mesma, claro. Acho que não dá para saber se é “perda de tempo”. As afinidades e relações fazem sentido em determinado contexto e espaço, e em épocas da nossa vida. Por isso mesmo, não acho que seja perda de tempo. Penso, por exemplo, que se víssemos as coisas somente dessa maneira e déssemos atenção a quem “realmente importa” e sabemos que vai continuar em nossa vida, nunca teríamos a chance de conhecer outras pessoas, fazer novas amizades, aprender outras visões de mundo. Porque tudo isso seria “perda de tempo”. E tudo isso não significa que vamos excluir outras pessoas, que já estavam em nossa vida.
O grande problema, penso, é essa coisa de exclusividade. Temos o costume também de sermos um pouco egoístas e controladores com nossos relacionamentos. Confesso que eu mesma, que detesto me sentir controlada e presa a algum tipo de relação ou a alguma coisa, ajo dessa maneira muitas vezes. Quando a gente gosta de alguém, quando apreciamos sua companhia e amizade, queremos uma atenção exclusiva. Mas não é assim que funciona. E quando sentimos que há um certo afastamento, um interesse por outras coisas e pessoas, a tendência é que culpemos o outro por isso. Acusamos ele de perder tempo com aquilo que não vai permanecer na vida dele. Mas a verdade é que não temos como saber se vai permanecer ou não. Não nos lembramos de que a “culpa” também pode ser um pouco nossa, por não saber reconhecer que o outro não é nossa exclusividade. Ou por não saber reconhecer que nós mesmos mudamos e também não somos exclusividade do outro.




