E entãaaaao? A culpa é de quem?

Temos o costume de nos isentarmos de algumas “responsabilidades” e “culpas” com bastante frequência. Coloco entre aspas porque nesse caso específico, não vejo exatamente como responsabilidade e culpa. Digo, no caso de relacionamentos entre as pessoas. Qualquer tipo de relacionamento: amizade, familiar, entre um casal… Estava pensando nisso depois de uma conversa que tive com uma amiga. Ela dizia que muitas vezes a gente perde bastante tempo dando atenção e importância a pessoas que não vão continuar na nossa vida, enquanto deixamos outras, as quais sabemos que vão (ou podem) continuar, de lado.

De certo modo, eu concordei. Depois de um tempo podemos nos dar conta de que nos dedicamos demais a alguém que nunca mais vamos ver, com quem nunca mais vamos falar. Mas a questão é justamente essa: depois de um tempo. Embora eu acredite que a gente escolhe quem permanece e quem sai da nossa vida, não acho que seja uma escolha totalmente consciente. Como eu posso saber, no momento presente, que me relacionar com uma ou outra pessoa, é perda de tempo ou não? E será que é perda de tempo mesmo? Será que neste momento não faz bastante sentido que eu esteja me envolvendo com determinadas pessoas e não com outras? Será que isso significa que vou abandonar essas outras?

Muitas perguntas. Eu consigo responder a todas elas. São respostas que dou para mim mesma, claro. Acho que não dá para saber se é “perda de tempo”. As afinidades e relações fazem sentido em determinado contexto e espaço, e em épocas da nossa vida. Por isso mesmo, não acho que seja perda de tempo. Penso, por exemplo, que se víssemos as coisas somente dessa maneira e déssemos atenção a quem “realmente importa” e sabemos que vai continuar em nossa vida, nunca teríamos a chance de conhecer outras pessoas, fazer novas amizades, aprender outras visões de mundo. Porque tudo isso seria “perda de tempo”. E tudo isso não significa que vamos excluir outras pessoas, que já estavam em nossa vida.

O grande problema, penso, é essa coisa de exclusividade. Temos o costume também de sermos um pouco egoístas e controladores com nossos relacionamentos. Confesso que eu mesma, que detesto me sentir controlada e presa a algum tipo de relação ou a alguma coisa, ajo dessa maneira muitas vezes. Quando a gente gosta de alguém, quando apreciamos sua companhia e amizade, queremos uma atenção exclusiva. Mas não é assim que funciona. E quando sentimos que há um certo afastamento, um interesse por outras coisas e pessoas, a tendência é que culpemos o outro por isso. Acusamos ele de perder tempo com aquilo que não vai permanecer na vida dele. Mas a verdade é que não temos como saber se vai permanecer ou não. Não nos lembramos de que a “culpa” também pode ser um pouco nossa, por não saber reconhecer que o outro não é nossa exclusividade. Ou por não saber reconhecer que nós mesmos mudamos e também não somos exclusividade do outro.

Pensando sobre não pensar

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Não esqueci o blog, simplesmente fiquei sem tempo. Claro que, mesmo eu querendo manter um ritmo para escrever, inevitavelmente isso iria acontecer. E pronto.

Essa semana que se passou, particularmente, foi bastante corrida. O que, por um lado foi ruim, pois fiquei extremamente cansada e estressada, querendo bater nas pessoas (isso é uma coisa que preciso tratar, embora nunca tenha batido em ninguém, rs). Porém, por outro lado, foi bom porque não tive muito tempo para pensar. Sabe quando você tem um monte de coisas para fazer, compromissos para cumprir e se preocupa tanto com isso que não dá tempo de ficar pensando na morte da bezerra? Então, foi isso. Às vezes eu me sinto bem assim, porque pensar na vida é dolorido demais.

Claro que no final de semana, quando consegui parar um pouco, eu pensei sobre isso de não pensar. E vi que não consigo fugir desses momentos de reflexão que me ajudam tanto às vezes, esclarecendo muitas coisas para mim mesma, mas também me torturam de vez em quando. É bom ocupar a vida e a mente com um milhão de coisas (e ainda assim não conseguir dar conta de todas elas), mas a certa altura parece que tudo fica automático demais. Não sei se me faço entender. Não pensar também é dolorido. Trágico, não?

Nesses dias da semana passada também fiquei um pouco nostálgica. Porque fiquei o tempo todo com uma música na cabeça (que veio do nada), que há tempos não escutava e fez parte de uma fase bem legal da minha vida. Se chama Mind’s Eye, é de uma banda chamada DC Talk. Fala sobre acreditar naquilo que não se vê, ou em Quem não se vê. Eu escutava muito essa banda, lá pelos meus 12 e 13 anos. Era uma época, ao meu ver, em que a música cristã tinha algum tipo de identidade e autorespeito. Não que hoje seja tudo ruim, mas eu não posso falar sobre isso porque realmente não conheço nenhuma novidade nesse “ramo”. Há tempos parei de acompanhar. O fato é que essa era uma das minhas músicas prediletas, sempre fez muito sentido para mim, que vivia (vivo) em crises de fé.

A partir daí fui lembrando de outras músicas e outras bandas. Haviam realmente bandas muito boas. Foi um exercício legal. Lembrei de letras que ainda hoje me tocam profundamente. E de uma época que, como eu disse, foi bem legal na minha vida.

Pensei, não pensei, pensei… E continuo pensando. Tudo isso deve fazer parte de algum tipo de cura interior, para os meus problemas de ansiedade etc e tal. Ou não. Mas espero que sim. rs.

Finalmente, em homenagem ao dia das mães, uma música das quais me lembrei. É de uma banda chamada Guardian, que eu nem sei se ainda existe (o DC Talk não existe). Essa música foi escrita pelo guitarrista, para a mãe dele que havia falecido quando ele ainda era criança. Uma letra que eu acho linda. Feliz dias das mães para as mães que lerem esse post.

 

 

 

 

PS: Ah! Aproveitando o post, convido vocês a visitarem o Beco das Palavras. Tem resenha minha nova lá. E mais posts da Luciana e das outras meninas.

Quase já posso morrer feliz…

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Foo Fighers!

Não tenho muitos planos de vida, daqueles de ter que realizar antes de morrer. Não faço muitos planos. Mas tenho alguns desejos, desses de falar: poxa, depois de realizar, eu posso morrer feliz. Alguns deles estão relacionados às bandas e artistas que admiro bastante e gostaria de ir aos shows. Fui ao show do U2 no ano passado, que era meu maior desejo, quando se trata desse assunto. Foi lindo, toda minha saga valeu a pena. Outra banda que queria muito assistir ao vivo, pessoalmente, era Foo Fighters. No último sábado, eu consegui!

Acho que todos estavam sabendo do festival Lollapalooza, que aconteceu aqui em São Paulo. Não sou muito fã de festivais (tenho preguiça de bandas novas, mesmo sabendo que posso me surpreender bastante), mas eu tinha que ir, ou não conseguiria assistir Foo Fighters. Estava contando com um show deles desde o final do ano passado, e queria muito que fosse um show só deles. Mas, no final, achei que valeu muito a pena do mesmo jeito. O show era só às 20:30, mas, obviamente, cheguei cedo para tentar ficar na frente (sem morrer na grade, porém sem assistir pelo telão). Fui direto para o palco em que iam tocar, não sei de nada que aconteceu nos outros palcos do Lolla. Ali assisti o show do Marcelo Nova, foi super legal. Assisti O Rappa, que foi sensacional! Quando a gente se deu conta, o show já estava acabando, de tão bom que foi, passou muito rápido! Depois tocou uma banda chamada “TV on The Radio”, que eu não conhecia, mas achei muito boa!

Finalmente, Foo Fighters! Depois de um dia assando no calor que fez em São Paulo e super ansiosa pelo show, eles entraram no palco tocando “All my life”, o que fez com que eu e minha amiga quase fôssemos esmagadas. Estava lotado, claro. Mas a gente nem sentiu nada, de tanta empolgação. Depois da primeira música, as pessoas ficaram um pouco mais normais ao nosso redor. Foram duas horas e meia de show, que também passaram tão rápido, como se fossem cinco minutos! Confesso que fiquei com os olhos cheios de lágrimas em músicas como “Best of you”, “Walk” e “Everlong”.

Dave Grohl!

Fui para esse show depois de uma crise renal, da qual ainda não estava totalmente bem. Podem imaginar como fiquei no domingo (rs)! Mas valeu a pena, muito mesmo! Para mim, Foo Fighters é uma das poucas bandas que atualmente ainda conseguem fazer um bom rock’n roll, com letras ótimas. Uma das poucas bandas que eu posso dizer que gosto de verdade, que gastaria dinheiro comprando CD, DVD, indo a shows, ou coisa que o valha… Enfim… Agora posso dizer que quase posso morrer feliz. Quase porque ainda tem alguns desejos, inclusive musicais, que tenho vontade de realizar. Mas esse é menos um. Ainda assim, espero que eles não demorem tanto para voltar ao Brasil, para eu ter a chance de vê-los novamente!

Esse momento foi lindo!

“De alguma maneira eu sei que é verdade…”

Vocês sabem, a Páscoa, para os cristãos, é mais que uma data para comer chocolate. Ela simboliza o grande sacrifício feito por Jesus. Ela simboliza a Ressurreição, a Graça, a Vida. Comer chocolate é bom demais, eu também gosto desses simbolismos criados para a data. Mas como cristã não posso deixar de lembrar que não sou nada. E, apesar disso, um Amor muito maior do que eu posso imaginar me alcançou. E ainda que em diversos momentos tudo isso pareça muito obscuro e distante de mim, de alguma maneira eu sei que é verdade.

Feliz Páscoa!

A Morte

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“- Sim, ora essa, eu nunca deixo de pensar na morte – disse Liévin. – É verdade que é hora de morrer. E que tudo isto aqui é um absurdo. Digo-lhe a verdade: tenho um apreço tremendo pelas minhas ideias e pelo meu trabalho, mas, na realidade, pense no seguinte: todo este nosso mundo não passa de um pequeno bolor que cresceu na crosta do planeta. E pensamos que pode haver em nós algo grandioso, ideias, obras! Tudo isso são grãos de areia.

- Mas isso, meu amigo, é velho como o mundo!

- É velho, mas, sabe, quando o compreendemos com clareza, tudo se torna insignificante. Quando você compreende que vai morrer qualquer dia desses e não vai restar nada, tudo se torna insignificante! Eu considero muito importante as minhas ideias, mas, ainda que se concretizassem, elas me parecem tão insignificantes quanto dar uma volta ao redor desta ursa. Assim, a gente vai passando a vida, se distrai com a caça, com o trabalho, só para não pensar na morte.

Stiepan Arcádith sorria de forma sutil e carinhosa, enquanto ouvia Liévin.

- Pois bem, é claro! Agora você chegou à minha maneira de pensar. Lembra como você me atacou por eu buscar os prazeres da vida? Não sejais, ó moralista, tão severo!…

- Não, apesar de tudo o melhor na vida é… – Liévin hesitou. – Mas nem eu sei. Só sei que vou morrer em breve.

- Por que em breve?

- Sabe, há menos encanto na vida quando se pensa na morte, mas também há mais tranquilidade.”

(Liév Tolstói, em Anna Kariênina)

 

 

Assisti o filme Melancholia e depois, pensando nele, me lembrei dessa passagem do livro Anna Kariênina, do Tolstói. Principalmente por essa frase final. Não estou com ânimo o suficiente para estabelecer qualquer tipo de relação entre esse trecho e o filme, quem sabe outro dia faço isso.

Recomendo o filme fortemente. Li e ouvi comentários diversos sobre ele, alguns falando que era bom, mas grande parte dizendo que o filme era cansativo e só fez sucesso por causa da polêmica que envolveu o diretor Lars Von Trier, que pelo próprio filme… Bem, eu achei o filme ótimo. Mas já falei aqui que não entendo nada de cinema e meu único critério para dizer se um filme é bom é ter gostado ou não. Quem gosta de ação não vai gostar mesmo de Melancholia. Quem espera que a história tenha como foco o fim do mundo, também não vai gostar. Mas acho que vale a pena dar uma chance.

Começo Estressante

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Nessa semana que se passou começaram minhas aulas no mestrado. Eu imaginava que seria difícil para mim, uma pessoa notívaga, acordar cedo. Mas foi bem pior do que pensei. No primeiro dia, acordei às 6h da manhã, a fim de sair de casa às 06:45. Não sou do tipo que demora para se arrumar, principalmente de manhã, momento em que embora de pé e aparentemente acordada, continuo dormindo. O plano era pegar o ônibus às 7h, chegar ao metrô Butantã às 8h (percurso que nas condições normais de temperatura e pressão levaria 40 minutos no máximo, mas contei com o trânsito). Do Butantã até a estação Armênia demoraria meia hora. De lá até Guarulhos uns 40 minutos. Minha aula começa às 09:30 da manhã, ou seja, eu ainda teria alguns minutos para beber um café e finalmente dizer bom dia para as pessoas.

Sonho meu! Do Butantã até Guarulhos levei o tempo previsto. Mas da minha casa até o Butantã… Deu tempo de ouvir metade das músicas que tenho no celular, tentar ler alguma coisa (e não conseguir por causa do nervoso e porque não consigo ler no ônibus), de xingar todos os motoristas de todos os carros que colaboravam para aquele trânsito horroroso… Enfim, saí de casa às 06:45, cheguei na universidade 10:10. Sem ar, descabelada e com vontade de chorar, de tanta raiva.

No dia seguinte, acordei 05:30 e saí de casa meia hora mais cedo. Passei raiva novamente, mas dessa vez já sabia o que me aguardava. Cheguei às 09:20 e consegui beber meu sagrado café. Claro que assim como no dia anterior, passei o resto dele como um zumbi.

Só posso admirar e parabenizar pela força psicológica e física quem precisa fazer algo assim todos os dias. Acordar de madrugada, passar horas no trânsito e ainda chegar atrasado no trabalho. E depois de um dia exaustivo ter que fazer o caminho todo de volta, chegar em casa e ter tarefas para fazer ainda, para no dia seguinte repetir tudo. Eu nem deveria reclamar de ter que fazer isso duas vezes por semana, mas sou fraca. Além disso, por mais que eu tente, não consigo dormir cedo. Meu cérebro funciona melhor no período da noite. O que me faz trabalhar e estudar durante a noite e me impede de acordar cedo. Ou pelo menos acordar bem disposta. Muito menos de bom humor. Vou precisar me disciplinar um pouco.

Fora isso, ainda não tive a chance de saber se os cursos são bons, nem conhecer outros colegas (fora os que já conhecia, que estudaram comigo). Quanto aos cursos, aparentemente serão interessantes. Quanto às pessoas, não sei se terei a oportunidade de conhecer gente nova chegando atrasada. Mas esse certamente não será meu único comentário sobre isso. Dessa vez, só queria aproveitar minha TPM para despejar um pouco meu estresse.

Coisas

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Hoje é um domingo com muita cara de domingo. Sei lá, tem dias que não parecem eles de verdade. Por exemplo, sexta-feira eu estava me sentindo como se fosse uma segunda. Não seria nada mal se depois de segunda viesse o sábado, mas era sexta-feira de verdade. Mas hoje está com cara de domingo. Em São Paulo está um agradável dia fresco e nublado. Gosto muito de dias nublados.

Hoje não tenho nada muito interessante a dizer aqui, então vou falar de outras coisas, de outros lugares. Primeiramente, deixo um convite para quem por acaso passar aqui, visitar o Beco das Palavras. O Beco é um site criado por uma pessoa querida por mim, a Luciana. Ela ama livros também. O site traz resenhas, comentários e dicas sobre livros e filmes. No começo do ano, a Luciana me convidou para fazer parte do site, algo que aceitei com bastante alegria, por compartilhar do gosto pela leitura e filmes. Lá me sinto meio que em casa, com uma xícara de café na mão e um livro na outra. Semana passada fiz minha primeira participação, escrevendo sobre o livro “A Resposta”, de Kathryn Stockett. Cliquem aqui para ler. Mas já adianto que gostei muito do livro, de verdade. Tenho um certo receio em relação a autores novos e best sellers, puro preconceito mesmo. Mas o legal de dar uma chance é que a gente pode se surpreender. Recomendo bastante esse livro.

Outro convite que quero fazer é para o Cultura Ordinária. Esse blog eu divido com minha amiga, Ana Lídia. A ideia é falarmos sobre cenas cotidianas da vida, que nos chamam a atenção por qualquer razão, mas também por sermos antropólogas. E, olha, depois de cursar Ciências Sociais é difícil não ver qualquer coisa nem que seja com uma pitadinha da Antropologia, no nosso caso. O blog ficou um tempo parado, mas voltamos.

Ah! Eu queria falar sobre o nome do blog. Me disseram que a tradução certa do título da música do U2 é “É só isso?” e não “É aquilo tudo?”, que seria uma tradução literal, mas não exatamente o significado. Falha minha. Mas não pretendo mudar o nome do blog não. Porque a ideia, o que me incomoda, é justamente o que está no futuro. O que visualizo (ou tento), mas não sei se é como deveria ser, ou se será. Entendem? Fico então com a tradução literal, mesmo que ela possa estar errada. ;)

Mudando de assunto, ontem fui assistir “A Família Addams”, o musical. Estava curiosa para assistir, porque sou super fã d’ A Família Addams. Mas também estava com um pé atrás, porque sei lá… Musical geralmente é feliz e achei que não ia combinar muito com os Addams. A versão da história é a seguinte: a Vandinha (Wednesday Addams) já cresceu, é uma jovem mulher e se apaixona por um cara “normal”, bem diferente dos Addams, o que é um problema para os pais e a família de ambos os lados. Enfim, nesse caso também me surpreendi positivamente porque eles conseguiram manter toda morbidez e obscuridade dos Addams, sendo ao mesmo tempo engraçados e com toda aquela coisa exagerada que um musical tem. Recomendo muito, para quem tiver a chance de ir. O preço do ingresso é um pouco salgado (eu só fui porque ganhei, haha), mas acho que vale a pena. Quem faz a Mortícia é a Marisa Orth, e o Gomez é interpretado pelo Daniel Boaventura.

Para quem não tinha nada a dizer, o posto ficou gigantesco. Por fim, enquanto não me processam por colocar vídeo aqui, vocês não acham essa música do Queen muito a cara de domingo? Não tem motivo nenhum, na verdade, mas eu acho bastante a cara de um domingo de manhã.

08 de março

Não tenho muito o que falar sobre o Dia Internacional das Mulheres. Mas vi essa imagem sendo compartilhada por aí e acho que ela resume meus pensamentos. Afinal, a existência dessa data comemorativa é por outro motivo além da luta pelos direitos das mulheres?

Para pensar.

Imagem

Foto 3×4

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Precisei tirar fotos 3×4. Eu odeio tirar fotos 3×4. Na verdade, uso um esquema para não precisar tirar fotos 3×4: quando tenho que entregar esse tipo de foto em algum lugar, tiro de documentos ou carteirinhas que já não utilizo, reciclo a foto. Mas chega uma hora que não dá mais para fazer isso, as fotos acabam. Foi o que aconteceu dessa vez. Precisei de fotos novas.

O que mais me incomoda nesse tipo de foto é que você tem que fazer uma cara apresentável, meio simpática, mas que não seja alegre demais. Uma foto que vai te definir por vários lugares que passar e por muito tempo. Vejam o peso que é tirar uma foto 3×4. As pessoas precisam aparentar ser alguém que, muitas vezes, não são: sérias, responsáveis, confiáveis, confiantes.

Eu não tenho cara de nada disso. Na verdade, eu tenho cara de que quer que tudo vá pelos ares. Uma cara de “nem aí, me deixa em paz, eu só quero dormir”. Não é minha culpa, mesmo que por diversas vezes eu realmente esteja assim. Mas minha expressão é assim, de uma pessoa tonta que só quer dormir. Eu tenho cara de tonta. Meus olhos são caídos e o fato de eu sempre estar com sono de verdade, deixa eles mais caídos ainda. Eu já me irritei com isso. Ninguém gosta de ter cara de tonta. Mas hoje não ligo muito. Depois que me disseram que pareço com a  Cher, especialmente pelos olhos, exceto pela cor, pois os meus são marrons, me fez me importar menos. Claro que eu dei muita risada ao ser comparada com a Cher (Só não foi pior do que me compararem com a Hanna Montana). Mas eu percebi que ela realmente tem olhos de tonta, como eu, então deixei de lado.

Mas voltando à foto… O caso é que se eu fosse retratada como realmente sou na maioria do tempo, seria com os olhos caídos, olheiras enormes e a mão no queixo. Só ia faltar um balãozinho escrito: “que sono!”. Mas não. O fotógrafo tirou umas 15 fotos minha, sem brincadeira, até que em uma meus olhos ficassem menos fechados e não arregalados (porque pra não ficar com olhos de tonta, eu arregalava). Por mim, eu deixava a primeira. Mas acho que o fotógrafo não se tocou que não dava para eu fazer outra cara, porque essa é minha cara.

Por essas e outras eu odeio tirar foto 3×4. E espero que essas oito que tirei durem por pelo menos 5 anos. Porque na próxima eu realmente vou fechar os olhos e fazer uma careta bem grande para esse padrão de boa aparência que se tem que ter em uma foto 3×4.

A vida após a graduação II – Pesquisar

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Atualmente, quando penso em meu futuro profissional – como cientista social – me vejo fazendo pesquisa. Como já falei aqui, desde que entrei na faculdade me interessei pela pesquisa. Cheguei a realizar uma de iniciação científica que, de certo modo, me instigou para além dela e me fez chegar à pesquisa do mestrado. Eu gosto de pesquisar. Gosto de sair em busca de respostas para as milhares de perguntas que faço a mim mesma e que após quatro anos na graduação só aumentam. Ao contrário de toda minha hostilidade com a possibilidade de lecionar, diante da possibilidade de pesquisar minha atitude é de empolgação.

Por outro lado, existem algumas coisas que fazem essa empolgação diminuir um pouco. A principal delas é o fato de que uma série de atividades são exigidas de quem está inserido no meio acadêmico e que, por mais contraditório que pareça, faz com que a pesquisa nem sempre receba a atenção que merece. Um mestrando, por exemplo, tem dois anos para realizar toda sua pesquisa e fazer sua dissertação. Ao mesmo tempo, além das aulas, ele tem que cumprir créditos que passam por publicar artigos, apresentar em congressos, não repetir trabalhos em publicações e apresentações, fazer alguma outra coisa como organizar evento, ou participar de comissões editorias etc. Dois anos não são só para pesquisar. Não são suficientes.

Mesmo depois que se passa dessa fase de cumprir créditos, ainda paira sobre todos a pressão em publicar livros, artigos, trabalhos novos, aumentar o Lattes. E, percebam, não é questão de escolha. Você não pode simplesmente decidir que não vai fazer nada disso, pois se não fizer está fora. É cruel.

É nesse ponto que surge meu segundo incômodo. Essa necessidade em rechear o Lattes não importa do que, aliada a algumas personalidades que se tornam (ou se aprimoram como) arrogantes, faz com que em muitos momentos tudo seja pareça somente uma grande briga de egos. Não importa de verdade a pesquisa, ou que relevância ela tem, ou em que ela pode contribuir, o que importa são as pessoas e como fazer para que um consiga humilhar mais o outro.

Quando penso em coisas assim, confesso, tenho uma enorme vontade de deixar essa vida acadêmica de um lado, após acabar o mestrado. Mesmo que depois, mais pra frente, eu decida fazer um doutorado, não seria com a intenção de seguir nesse sentido acadêmico da profissão. Além disso, vou um pouco mais longe e imagino como seria bom ter uma vida “normal”. Quer dizer, horários fixos para trabalhar, férias de verdade, tempo para ler outras coisas… Isso não iria me desagradar.

Mas então penso também em algumas questões que realmente julgo importantes. Na universidade encontramos diversas linhas de pesquisas, assim como diversos posicionamentos políticos. Uma das primeiras coisas que aprendemos em metodologias de pesquisa em Ciências Sociais é que é impossível que exista uma neutralidade completa ao se fazer ciência (não só nas Ciências Sociais, né?). Nossa tarefa é tentar manter o distanciamento, para que seja mantida a objetividade. Porém, sabemos que não é possível que não sejamos um pouco subjetivos, tendenciosos… Para ser sincera, não acho isso de tudo ruim (posso falar especificamente desse assunto em outra postagem). Mas quando uma pesquisa se torna um meio para justificar ou provar algo que já se acredita de antemão, não só é ruim, é também perigoso. Especialmente quando o discurso é para manter uma situação racista, higienista, intolerante, anti-democrático etc. Já vi muitas pesquisas em Ciências Sociais se passando por verdadeira ciência, e disseminando ideias que, no mínimo, servem para defender os interesses de uma parte da população que quer continuar no poder à custo de uma maioria explorada. Já vi doutores falando que como cientistas sociais não devemos nos preocupar em fazer algo que contribua com a sociedade, já vi pessoas justificando a situação de miséria das cidades a partir da ciência…

Nesses momentos eu vejo o quanto é importante continuar na vida acadêmica. Não que eu sozinha possa ter alguma relevância nesse espaço, nem quero parecer arrogante dessa maneira. Mas junto com colegas que também trazem para dentro da universidade temas que, digamos, não recebem muita simpatia por grande parte da academia, ou que acreditam e incentivam que a universidade deve ultrapassar os espaços das salas de aula e centros de pesquisa, os que querem que mais pessoas (não só quem tem dinheiro) façam parte desse universo – junto com esses colegas, acho que algo diferente pode acontecer.

Enfim, por enquanto meu caminho é esse. Não sei se daqui dois anos continuará sendo, mas enquanto for, é ao que vou me dedicar. Em outra oportunidade falo um pouco sobre minha pesquisa de mestrado, estou super feliz em poder realizá-la!

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